Rio de Janeiro, RJ · Brasil

Vasco

Club de Regatas Vasco da Gama · Gigante da Colina

Nascido em 1898 pelas mãos de imigrantes portugueses e símbolo de resistência desde a Resposta Gloriosa de 1923, o Vasco — tetracampeão brasileiro e campeão da Libertadores — carrega no morro de São Januário a alma de um povo que nunca recuou.

Fundado1898Série A4×Libertadores1×EstádioSão JanuárioFornecedorNikeCopa do Brasil1×Série B1×No Brasileirão16º

História

O Club de Regatas Vasco da Gama nasceu em 1898 nas margens da Baía de Guanabara, fundado por imigrantes portugueses apaixonados pelo remo. Quando o futebol chegou ao Rio, o clube embarcou na modalidade — e em 1923 escreveu uma das páginas mais nobres do esporte brasileiro. Proibido de disputar o campeonato carioca por admitir jogadores negros, pobres e analfabetos, o Vasco respondeu com a histórica Resposta Gloriosa: negou-se a cortar o elenco, sagrou-se campeão assim mesmo e forçou as elites do futebol carioca a recuar.

No Morro de São Januário, ergueu-se em 1927 o estádio que seria o maior da América do Sul à época — construído pelos próprios sócios e torcedores do clube. Roberto Dinamite, filho de Vasco e maior artilheiro da história do clube, atravessou três décadas defendendo o Cruz-Maltino, marcando mais de 700 gols e sendo ídolo de gerações inteiras de marujos. Na Copa de 1950, disputada no Brasil, o goleiro Moacyr Barbosa e a geração de ouro do Vasco carregavam as esperanças de um país inteiro.

O tetracampeonato brasileiro veio em etapas: 1974, 1989, 1997 e 2000 — esse último o mais dramático, decidido só num jogo remarcado para janeiro de 2001. Em 1998, sob o comando do técnico Antônio Lopes e com Romário em estado de graça, o Vasco conquistou sua única Copa Libertadores, vencendo o Barcelona de Guayaquil na final decidida em Guayaquil. Era o ápice de uma década de futebol espetacular que incluía nomes como Juninho Paulista, Carlos Alberto Torres e Edmundo, o Animal.

O século XXI trouxe altos e baixos para o Gigante da Colina. Rebaixamentos dolorosos contrastaram com a fidelidade inabalável de uma das maiores torcidas do Brasil. Em 2023, o clube deu início a um processo de transformação com a parceria junto à 777 Partners e posteriormente com novos investidores, buscando reconquistar o protagonismo nacional. O São Januário segue sendo palco de festas épicas — e o escudo Cruz-Maltino, símbolo de resistência desde 1923, continua inspirando gerações de marujos a acreditar.

Ídolos

Conquistas

1974

Campeonato Brasileiro

Primeiro título do Vasco no Campeonato Brasileiro moderno. Roberto Dinamite, ainda jovem, dava os primeiros passos de uma carreira que o tornaria o maior ídolo da história do clube.

1989

Campeonato Brasileiro

Segundo título nacional do Vasco, conquistado quinze anos após o primeiro Brasileirão. O triunfo reafirmou o status do Cruz-Maltino como um dos grandes do futebol brasileiro.

1997

Campeonato Brasileiro

Terceiro título brasileiro do Vasco, conquistado com uma campanha consistente ao longo da temporada. O clube consolidava uma das melhores gerações de sua história, que logo depois chegaria ao topo da América.

1998

Copa Libertadores

O maior título da história do Vasco. Com Romário inspirado, o Cruz-Maltino derrotou o Barcelona de Guayaquil na final decidida em Guayaquil e se tornou campeão da América pela única vez. Uma noite inesquecível para toda a nação vascaína.

2000

Campeonato Brasileiro

Quarto título nacional do Vasco, conquistado de forma dramática contra o São Caetano no Maracanã. A decisão ficou marcada na memória da torcida Cruz-Maltina como uma das mais emocionantes da história.

2009

Campeonato Brasileiro — Série B

Título da Série B conquistado no retorno imediato à elite, um ano após o traumático rebaixamento de 2008 — o Cruz-Maltino dominou a segunda divisão e devolveu São Januário à primeira.

2011

Copa do Brasil

Primeiro título do Vasco na Copa do Brasil. O Cruz-Maltino superou o Coritiba na final — 1–0 na ida e 2–3 na volta — pelo gol marcado fora de casa, encerrando uma longa espera por um troféu nacional.

Rivais

ClássicoFlamengo

Clássico dos Milhões

As duas maiores torcidas do Brasil — Cruz-Maltino e Rubro-Negro paralisam o Rio a cada encontro.

ClássicoFluminense

Clássico da Amizade

Apelidado com ironia — a disputa entre Vasco e Flu raramente condiz com o nome 'Amizade'.

ClássicoBotafogo

Clássico Estrela e Cruz

Estrela Solitária contra Cruz de Malta — Botafogo do Zona Sul, Vasco do subúrbio e dos imigrantes.

HistóricoPalmeiras

Duelo de Gigantes

Os dois maiores clubes de imigrantes do Brasil — portugueses e italianos em duelos históricos.

Estádio

São Januário
São Januário
Foto Bernardo1989 · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Capacidade21.880
Inaugurado1927
CidadeRio de Janeiro, RJ

O Estádio São Januário, inaugurado em 1927 no bairro de mesmo nome na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi por muito tempo o maior estádio da América do Sul. Construído pelos próprios sócios do Vasco — que contribuíam com tempo, dinheiro e trabalho braçal — a arena nasceu como símbolo da força popular de um clube de imigrantes e operários. Quando abriu suas portas, era capaz de receber mais de 35.000 torcedores.

Ao longo do século XX, o São Januário foi palco de alguns dos momentos mais marcantes do futebol brasileiro. Foi lá que o Vasco encaminhou a Copa Libertadores de 1998, numa noite inesquecível contra o Barcelona de Guayaquil. A atmosfera do estádio — comprimido entre morros e casas do subúrbio carioca — cria uma acústica e uma intimidade únicas, transformando cada jogo em casa numa experiência visceral.

Com capacidade atual de aproximadamente 21.800 lugares, o São Januário é tombado pelo patrimônio histórico da cidade do Rio de Janeiro. O estádio passou por modernizações ao longo das décadas, mas preservou sua arquitetura original e sua alma — a de uma fortaleza construída pelo povo para o povo. É o lar dos marujos e o templo do Cruz-Maltino.

Sede Social

São Januário

Vasco da Gama, Rio de Janeiro

O complexo de São Januário é a sede oficial do Vasco desde 1927, quando o estádio foi erguido em menos de um ano graças à mobilização histórica de sócios e torcedores. Além do Estádio Vasco da Gama, o endereço concentra a administração e a vida social do clube, no bairro que leva o nome do Gigante da Colina. É o território sagrado cruzmaltino — palco de jogos, eventos e da memória vascaína; o clube mantém ainda outras sedes em pontos distintos do Rio.

Centro de Treinamento

CT Moacyr Barbosa

Jacarepaguá, Rio de Janeiro

O CT Moacyr Barbosa, também chamado de CT do Almirante, fica em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, e é onde o elenco profissional treina no dia a dia. Assim como São Januário, saiu do papel com dinheiro da própria torcida: campanhas de financiamento coletivo bateram recordes de doação, e a primeira etapa foi entregue em outubro de 2020. O nome homenageia Moacyr Barbosa, goleiro histórico do clube, e o projeto prevê ampliação com mais campos e integração da base ao profissional.

Categorias de Base

Base do Vasco

São Januário, Rio de Janeiro

A formação vascaína é uma das mais férteis do Brasil — as revelações do clube são as 'Crias da Colina'. As categorias treinam no campo anexo de São Januário e em CTs satélites na Baixada Fluminense, com projeto de integrar do sub-15 ao sub-20 no CT Moacyr Barbosa, em Jacarepaguá. Dali saíram Roberto Dinamite, maior artilheiro da história do clube, Romário, Edmundo e Philippe Coutinho; mais recentemente, Douglas Luiz e Andrey Santos seguiram o mesmo caminho da Colina até a Premier League.

Tour e Museu

Tour da Colina

São Cristóvão, Rio de Janeiro

Criado pelo Centro de Memória do Vasco da Gama, o Tour da Colina percorre São Januário com guias credenciados: sala de troféus, vestiários, áreas internas e o gramado da Colina Histórica. O roteiro inclui parada no Centro de Memória, que reúne camisas históricas, fotos raras e documentos do clube desde 1898. As visitas acontecem em vários horários, praticamente todos os dias, com ingressos pelo site oficial.

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Elenco

Elenco atualizado em 24 de maio de 2026

Goleiro

1brLéo Jardim
13brDaniel Fuzato
37brPablo

Defensor

2uyJosé Luis Rodríguez
4uyAlan Saldivia
6brLucas Piton
30brRobert Renan
43brLucas Freitas
46coCarlos Cuesta
64brWalace Falcão
66brCuiabano
96brPaulo Henrique

Meio-campo

3brTchê Tchê
8brJair
9brMatheus França
10coJohan Rojas
23brThiago Mendes
25brHugo Moura
28brAdson
85brMateus Carvalho
88brCauan Barros
98brJP

Atacante

7brDavid
11coAndrés Gómez
17ptNuno Moreira
18coMarino Hinestroza
20brBrenner
77arClaudio Spinelli

Camisas

Casa
Visitante
Camisa oficial

Sócio

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Mascotes

Almirante

O Almirante é o mascote oficial do Vasco da Gama desde 1944 — um marinheiro de barba branca e chapéu de almirante que evoca as raízes náuticas do clube. O personagem representa o espírito aventureiro dos Marujos e a ligação histórica do Vasco com o mar e com os imigrantes portugueses que fundaram o clube.

Com seu uniforme naval e postura imponente, o Almirante personifica a tradição e a resistência do Cruz-Maltino. É presença constante nos jogos no São Januário, animando a torcida e lembrando a todos que o Vasco nasceu das águas e da garra de um povo que nunca recuou.

Bacalhau

O Bacalhau surgiu nos anos 1960 nas charges do cartunista Henfil, que utilizava o peixe típico da culinária portuguesa como símbolo da torcida vascaína — uma referência bem-humorada às raízes lusitanas do clube. O personagem foi adotado com orgulho pelos torcedores do Cruz-Maltino.

Ao contrário do Almirante, o Bacalhau nunca foi oficialmente adotado pelo clube — mas vive no coração e no humor da torcida vascaína. É uma mascote paralela, afetiva, que aparece em faixas e fantasias nas arquibancadas do São Januário como símbolo de identidade e autoironia.

Torcidas Organizadas

Força Jovem do Vascodesde 1970

Criada em 1969 e oficializada em 19 de fevereiro de 1970, num casarão do bairro do Méier, a Força Jovem do Vasco (FJV) é a principal torcida organizada vascaína. Organizada em "famílias" por bairros, municípios e até outros países, adota como mascote o Eddie, personagem-símbolo da banda Iron Maiden, estampado em suas faixas e camisas.

Em São Januário, a FJV é o núcleo do caldeirão cruzmaltino, com bandeirões, bateria e cantos que atravessam a partida; sua megaloja e sede recreativa ficam em frente ao estádio, ponto de encontro da torcida em dia de jogo.

Guerreiros do Almirantedesde 2006

A Guerreiros do Almirante estreou nas arquibancadas de São Januário em 16 de agosto de 2006, trazendo ao Vasco o estilo das barras sul-americanas: faixas verticais penduradas na arquibancada, repertório extenso de cantos sustentados do início ao fim da partida e festa com fogos.

Cantos da Torcida

Camisas Negras

Eu já lutei por negros e operários

Te enfrentei, venci, fiz São Januário

Camisas Negras que guardo na memória

Glória, lutas, vitórias, esta é minha história

Composto pelo torcedor Marcelo Panoeiro, exalta o pioneirismo antirracista do Vasco e o time campeão de 1923, os Camisas Negras. Nos 90 anos de São Januário, o verso "Aqui eu ergui meu templo para vencer" foi estampado na camisa do clube.

Casaca

Casaca! Casaca! Casaca-zaca-zaca!

A turma é boa, é mesmo da fuzarca!

Vasco! Vasco! Vasco!

Grito de guerra popularizado em 1929, nascido entre os remadores e o festeiro Grupo dos Supimpas da sede da Lagoa — "da fuzarca" era elogio à qualidade de um atleta.

Vasco da Gama, Minha Vida

Vasco da Gama

Minha vida, minha história, meu amor

A melodia clássica das arquibancadas brasileiras na voz cruzmaltina — apontado como o canto mais conhecido da torcida do Vasco.

Hino

Hino Triunfal do Vasco da Gama

Joaquim Barros Ferreira da Silva · 1918

Clangoroso apregoa, altaneiro

O clarim estridente da fama

Que dos clubes do Rio de Janeiro

O invencível é o Vasco da Gama

Trecho — letra completa no site oficial

O Vasco mantém dois hinos oficiais: o Hino Triunfal, presenteado ao clube por Joaquim Barros Ferreira da Silva em agosto de 1918, no aniversário de 20 anos, e 'Meu Pavilhão', de João de Freitas e Ernani Corrêa. O hino que a torcida canta em São Januário, porém, é o popular — composto por Lamartine Babo em 1949 no programa de rádio Trem da Alegria.

Hino no site oficial

Gestão

ModeloSAF
Desde2022
ControladorClub de Regatas Vasco da Gama (associação)

O Vasco criou sua SAF em 2022, vendendo 70% à americana 777 Partners. Com o colapso financeiro do grupo em 2024, a associação retomou o controle do futebol com respaldo da Justiça, e a disputa societária com a 777 segue em litígio. O clube está em recuperação judicial, com plano aprovado pelos credores no fim de 2025. Em 2026 negocia a venda de 90% da SAF ao grupo do empresário Marcos Lamacchia — acordo ainda pendente de aprovações internas.

Canais Oficiais