Morumbis

Foto Arne Müseler · CC BY-SA 3.0 DE · Wikimedia Commons

São Paulo · SP

Morumbis

Estádio Cícero Pompeu de Toledo · Morumbi · Estádio do Morumbi

O maior estádio de clube do Brasil, e do clube que o construiu sozinho. Palco do primeiro título continental do São Paulo, do maior público pagante do futebol paulista e das noites em que a cidade inteira canta.

Capacidade66.795Inauguração1960Recorde156.824DonoO próprio clube

Ficha Técnica

Capacidade
66.795
Sem cobertura permanente · todos os lugares sentados
Inaugurado
2 de outubro de 1960
1994–1996 · reforma estrutural que reduziu a capacidade · modernizações em ciclos desde 2000
Gramado
105 × 68 m · grama natural
dimensões oficiais
Coordenadas
23°36′S · 46°43′O
Morumbi, Zona Oeste
Estrutura
Projeto de João Batista Vilanova Artigas, concebido para cerca de 150 mil lugares

São Paulo Futebol Clube

Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 — Morumbi, São Paulo, SP · CEP 05653-070

A História

A história do Morumbis começa com um terreno doado. Em 4 de agosto de 1952 a companhia imobiliária Aricanduva cedeu a área ao São Paulo, e onze dias depois o clube lançou a campanha para levantar o dinheiro da obra. Quem conduziu a empreitada foi o presidente Cícero Pompeu de Toledo, cujo nome o estádio leva até hoje. As obras começaram em 1953.

O projeto é de João Batista Vilanova Artigas, um dos nomes centrais da Escola Paulista de arquitetura, e foi desenhado para algo em torno de 150 mil lugares — mais do que o dobro do que o estádio comporta hoje. A distância entre o desenho e o estádio atual não é fracasso de obra: é o efeito acumulado de décadas de exigência de segurança, com cadeiras substituindo arquibancada em reforma após reforma.

A inauguração veio em duas etapas, dez anos separando uma da outra. Em 2 de outubro de 1960, com o estádio ainda incompleto, o São Paulo venceu o Sporting por 1×0 diante de 56.448 pessoas, e Peixinho fez o primeiro gol da casa aos 12 minutos. A conclusão só foi celebrada em 25 de janeiro de 1970, num 1×1 com o Porto.

Os anos seguintes deram ao estádio os números que ainda hoje o definem. Em 16 de novembro de 1980, na final do Paulistão contra o Santos, 156.824 pagantes entraram para ver o São Paulo vencer por 1×0 — a maior bilheteria que o futebol paulista já registrou. Cinco anos depois um congresso religioso levaria 162.941 pessoas ao mesmo gramado, marca que nenhum jogo alcançou.

Em 17 de junho de 1992 o estádio viu o São Paulo conquistar sua primeira Libertadores: 1×0 sobre o Newell's Old Boys, revertendo a derrota da ida em Rosário, e o título nos pênaltis por 3 a 2. Trinta e um anos mais tarde, em 24 de setembro de 2023, o 1×1 com o Flamengo entregou ao clube a Copa do Brasil que faltava na sala de troféus.

A ausência mais comentada é a de 2014. Em 16 de junho de 2010 o Morumbis foi retirado da lista de sedes da Copa do Mundo, depois que o clube e o comitê municipal não apresentaram as garantias financeiras exigidas — e a cidade construiu uma arena nova em Itaquera para receber o torneio. O estádio seguiu recebendo o que sempre recebeu: finais, seleção, e as maiores turnês que passam pelo país.

Grandes Momentos

1960
InauguraçãoSão Paulo1×0Sporting
o primeiro gol da casa, de Peixinho
1970
Inauguração definitivaSão Paulo1×1Porto
dez anos depois da primeira
1980
Campeonato Paulista · FinalSão Paulo1×0Santos
156.824 pagantes, recorde do estádio
1992
Copa Libertadores · Final (volta)São Paulo1×0Newell's Old Boys
título nos pênaltis, 3×2 — a primeira Libertadores
2019
Copa AméricaSede da Copa América, com jogos de grupo e de mata-mata
2023
Copa do Brasil · Final (volta)São Paulo1×1Flamengo
o título que faltava, e a maior renda da casa

Recordes

Maior público em jogo
156.824
Pagantes — São Paulo 1×0 Santos, final do Campeonato Paulista, 16 de novembro de 1980.
Maior público em qualquer evento
162.941
Presentes — congresso internacional das Testemunhas de Jeová, 25 de agosto de 1985. Nenhuma partida chegou perto dessa marca.
Maior renda
R$ 24,5 mi
R$ 24.520.800 na final da Copa do Brasil contra o Flamengo, 24 de setembro de 2023.
Maior temporada de shows
439.651
Público somado das seis noites do Coldplay em 2023 — a maior sequência de um mesmo artista no estádio.

Mandantes

São Paulo

Dono e único mandante. O clube financiou a construção com campanha entre sócios e torcedores, e o estádio é patrimônio próprio — sem concessão, sem estado, sem prefeitura.

Como Chegar

Metrô

Linha 4–Amarela, estação São Paulo–Morumbi, a mais próxima do estádio. Não é porta de estádio: são cerca de 20 a 25 minutos de caminhada, conforme o portão, pela Av. Professor Francisco Morato até a Av. Jorge João Saad.

Trem

Linha 9–Esmeralda da CPTM, com baldeação para a Linha 4–Amarela na estação Pinheiros. É o caminho de quem vem pelo eixo do Rio Pinheiros.

Metrô + ônibus

Linha 5–Lilás até a estação Giovanni Gronchi e ônibus pela Av. Giovanni Gronchi — mais de 5 km até o estádio. Alternativa de quem chega pela Zona Sul.

Traçar rota

Tour

Tour e Memorial do Morumbis

Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 — portaria do memorial

O memorial leva o nome de Luiz Cássio dos Santos Werneck e funciona desde 1994, reunindo a sala de troféus do clube — as três Libertadores, os três Mundiais e a Copa do Brasil de 2023. O complexo do estádio abriga ainda espaço de eventos, lojas e restaurantes. Horários e funcionamento em dia de jogo são definidos pelo clube.

A Vizinhança

O Morumbi é um dos endereços residenciais mais caros do país: condomínios fechados, ruas arborizadas e casas de alto padrão, na Zona Oeste, sob a subprefeitura do Butantã. Faz divisa com o Itaim Bibi ao norte, os Jardins a leste, a Vila Andrade ao sul e o Butantã a oeste, tendo o Rio Pinheiros como limite.

É também um bairro de contrastes que não se escondem. O Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado desde 1964, fica a poucos minutos do estádio; o Hospital Israelita Albert Einstein, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano — museu com 75 mil m² de jardins — e o Parque Burle Marx, aberto em 1995, completam o entorno. A poucos quarteirões dali, Paraisópolis, uma das maiores comunidades do Brasil, divide a mesma paisagem.

O que o bairro não tem é vida de rua de dia de jogo. É residencial, silencioso e mal servido de calçada comercial — o movimento de bar e de mesa está nos Pinheiros, na Vila Madalena e nos Jardins, do outro lado do rio. Em dia de jogo tudo se concentra nas avenidas de acesso, e é nelas que a torcida se junta antes de subir para o estádio.